ACREDITE SE QUISER


O artigo abaixo foi escrito em 1992, entretanto ele continua bastante atualizado, servindo novamente para refletirmos sobre o período que estamos vivendo.


Você sabia que o Brasil desperdiça cerca de 40 bilhões de dólares por ano enviando meramente ao lixo diversos tipos de matérias primas e outros produtos, e que este valor equivale a aproximadamente 1/3 da dívida externa brasileira e que a cada ano agrícola, jogamos fora já na fazenda cerca de 25% da produção?


Realmente, um verbo que o brasileiro sabe conjugar bem, é DESPERDIÇAR.


Temos outros exemplos, tais como, o rendimento obtido na colheita do leite, no Brasil em média é de 3 litros/dia por vaca leiteira, enquanto que no Uruguai é de 8 litros/dia e na Argentina é de 15 litros/dia. O baixo rendimento deve-se ao fato de que não existem investimentos nem na alimentação do rebanho, já que ainda é praxe  alimentá-lo com capim e cana moída.


Possuímos o maior rebanho da América Latina, entretanto o consumo de leite per capita do brasileiro é de apenas 50 litros/ano, enquanto que nos Estados Unidos é de 106 litros/ano e na Alemanha de 120 litros/ano.


Acredite se quiser, mas aproximadamente 30 milhões de brasileiros não tomam leite devido ao desconhecimento ou por falta de acesso ao mesmo. 


Minas Gerais que é um estado fortemente agrícola, tem uma perda aproximada na sua safra de feijão de 20 a 25%, na do milho de 25% e na de arroz e tomate o mesmo percentual. Quanto aos produtos hortifrutigranjeiros a perda chega a atingir até 30%.

 

Apesar disso, Minas Gerais não está fora da média, pois a brasileira é de 20% de perdas para os grãos e de 30% para os produtos hortifrutigranjeiros.


Existe um ditado popular no campo que diz: “O Brasil sempre foi considerado o país do amanhã, só que amanhã é feriado”.


Por que não existe o investimento?


O mesmo é difícil de ser conseguido junto aos bancos oficiais, a taxa de juros normalmente é elevada, o retorno é sempre em longo prazo e os pagamentos vencem de imediato.


Falta ainda um adequado planejamento e obviamente um apoio maior da área governamental. Incrível, mas o Brasil é o maior produtor mundial de banana, entretanto para cada dúzia colhida, em média oito bananas são jogadas fora, devido à colheita ser precária e manual, aliado às péssimas condições de embalagem e transporte.


No CEAGESP de São Paulo, o maior centro de distribuição de produtos da América Latina, cerca de 20% do recebido no dia e não vendido é jogado fora, portanto um desperdício absurdo.

 

São milhares de produtos normalmente aproveitáveis, tais como cenouras, beterrabas, pepinos, folhas diversas,
etc, que são simplesmente destruídos, enquanto milhares de brasileiros simplesmente passam fome e vivem na mais completa miséria.


Acredite se quiser, mas não são poucas as famílias de favelados que simplesmente buscam seu sustento no CEAGESP, e por mais incrível que possa parecer, nem ao menos sabem o preço daqueles produtos ali por elas recolhidos.


Se todo este alimento fosse aproveitado, seria possível preparar-se todos os dias cerca de 1.500.000 de pratos com ótimo teor nutritivo. O Instituto Mauá de Tecnologia aproveita apenas 2,5 toneladas destas frutas e verduras que são desperdiçadas para produzir a NUTRISOPA e alimentar cerca de 11.000 alunos de escolas
públicas, com uma redução de custo de cerca de 20% sobre a merenda tradicional.


Mas o desperdício não ocorre apenas no campo e no centro distribuidor, ocorre também nos restaurantes e em nossas residências. Nas grandes churrascarias é comum ocorrer uma perda de até 40% do prato pedido, ou seja, o brasileiro primeiro se alimenta com os olhos e depois com a boca.

 

Estes poucos privilegiados nem se lembram, ou não tem interesse em saber, que aproximadamente 70.000.000 de brasileiros ganham cerca de meio salário mínimo e, portanto não tem acesso a esta alimentação.


Informações como essas são apresentadas e mostradas todos os dias pelos nossos meios de comunicação, entretanto fingimos não as receber. Está na hora de olharmos o nosso íntimo e realizarmos algo de que possamos realmente nos orgulhar.

 

Caso isto não ocorra, além do dito anos atrás por De Gaulle, de que o Brasil não é um país sério, deveremos acrescentar que é também o do DESPERDÍCIO.


Já estamos no século XXI e algumas coisas melhoraram, entretanto temos ainda várias oportunidades de melhoria.


FAÇA ALGO A MAIS!!


Milton Augusto Galvão Zen
Engenheiro Eletricista
Eng. Segurança do Trabalho
Administrador de Empresas
Artigo datado de Maio. 1992

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